Não apenas o texto, mas o diálogo em língua escrita é o conteúdo da aula de português
Paulo Coimbra Guedes
Jane Mari de Souza
Ler é produzir sentido; ensinar a ler é contextualizar textos; o leitor atribui ao texto que tem diante de si o sentido que lhe é acessível.
É um direito de cidadania do aluno a ter acesso aos meios expressivos construídos historicamente pelos falantes e escritores da língua portuguesa para se tornar capaz de ler e compreender todo e qualquer texto já escrito nessa língua. Ensinar a ler é levar o aluno a reconhecer a necessidade de aprender a ler tudo o que já foi escrito, desde o letreiro do ônibus e o nome das ruas, dos bancos das casas comerciais, leituras fundamentais para sua sobrevivência e orientação numa civilização construída a partir da língua escrita.
Ensinar a ler é também dar acesso aos meios expressivos necessários para que o aluno leia não apenas os seus contemporâneos, mas também os antigos para que ele possa perceber que a língua portuguesa que lê é produto do trabalho de homens como ele. Desse modo, ensinar a ler é alfabetizar, levar o aluno ao domínio do código escrito.
O professor de português deve estar aparelhado é para mostrar as diferenças de efeitos de sentido que podem ser obtidos com o uso de conjunções forjadas historicamente na língua para expressar relações de e efeito.
A contextualização mais adequada para o entendimento de textos sobre cada área do conhecimento vai ser feita pelo professor da respectiva área, e isso não se refere aos termos próprios da ciência em questão, mas também ao valor particular que nesse contexto assumem relações mais gerais de oposição, causa e efeito. Ensinar a ler é contextualizar o texto e explorar os seus possíveis sentidos; aprofundar a leitura é promover um diálogo da leitura feita pelo aluno com a leitura feita pela tradição, e essas tarefas são de todas as áreas.
Mirian Fernandes de Moura
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